terça-feira, 22 de maio de 2007

O escuro.

Como uma forma de quebrar a linha altamente intimista à qual venho seguindo desde quando comecei a apresentar os poemas de Plurilógico, decidi trazer à tona uma poesia do Buraco da Fechadura (mais uma divisão de Plurilógico).
A idéia com a qual trabalhei no Buraco da Fechadura foi o instinto, os elementos que fazem parte de nossa vida, mas que preferimos não mostrar e que ninguém quer ver ou saber a respeito. É onde maquiamos o rosto cru e só então saímos para a rua.
Os demônios íntimos encontram seu lugar atrás do Buraco da Fechadura. A raiva, o ódio, as tonalidades fortes. Necessitamos dar essa grande descarga, não apenas pelos outros, mas por nós mesmos. Precisamos de um lugar para ser quem somos sem se preocupar com ninguém e deixar tudo isso apenas ali, sem trazer para os outros, para o mundo.
A poesia que trago hoje fala de raiva.
Senti tanta raiva quando fiz esse poema, que ele foi uma forma de escoar esse sentimento e digeri-lo, sem grandes agressões ao meu mundo íntimo ou à minha relação com essas duas pessoas. Simplesmente não achei justo o casulo que estava sendo criado, era muito cruel, muito egoísta. Muito sem-vida.

Monopólio de corações
Enquanto ele rouba o compromisso
Ela fica feliz e sorri e rodopia

Enquanto ele enfeita as manchas
Ela saltita no ar, formando triângulos de fogo

É perigoso, dramático, cheio de dor
Mas essa foi a forma que eles encontraram
de ornar a rosa com espinhos.

E sangra em demasiada agonia:
eles formam um circo serelepe
de eternos horrores

A raiva cresce, o egoísmo adia
mas eles estão de pernas pro ar:
E aí, e daí?
Há vida, não há?

É isso que importa.

- By me®

Incansavelmente, incessantemente, implacavelmente agradecendo a todos que continuam comentando aqui. Obrigado!

7 comentários:

Yuri Assis disse...

por causa de algum problema que desconheço, o link de comentários sumiu.
então deletei a postagem e postei de novo.
agora o link está aí!

Yuri Assis disse...

Analuka disse...

Yuri, também " vejo" a raiva de um modo semelhante ao teu: ali onde ela se esconde, ou se intromete, ou se disfarça, há algo de sombrio ou uma ferida sangrando... e, às vezes, é necessário derramar este mau sentimento para fora, de algum modo, para que a alma não adoeça: algo assim como "retirar o espinho", para que o corte possa cicatrizar... Quem guarda raiva, aos poucos, se envenena, e isto passa a verter para fora de si, através das palavras, da pele, do olhar, da energia pesada que a pessoa passa a irradiar...
Enfim, feliz de quem consegue se livrar dela, o quanto antes!... e plantar novas flores azuis neste lugar, semear novas ternuras rosadas, crer em outros sonhos violetas...
(Tentei postar o comentário na postagem acima, mas não foi possível, não aparecia o link para comentar, então deixo meu rastro e poeiras por aqui, está bem?)
Abraços alados, e muita luz!

Yuri Assis disse...

Danielle disse...

eu ia comentar sobre o meu amigo Bruno, mas vejo que ele há pôs-se a comentar antes de mim, haha!
vocês dois podem trocar muitas idéias interessantes, pois ambos compartilham sinônimas idéias.
gosto do jeito que escrevem.
continuem produzindo, pois o país precisa de cultura!

beijos

peu disse...

e quem vai mexer numa relação assim?
não é a raiva que nos impulsiona?
não é a paixão?
e não seria a paixão uma raiva que se maqueia para colocar-se em público?
- então nos tornemos para sempre raivosos-apaixonados, e, espero, pouco maquiados.

Leila Lopes disse...

trazemos em nós tantos tons, somos feitos de tudo, importante é atravessar, reconhecer e digerir cada pedaço como nosso, não dos outros apenas.
bjos

Analuka disse...

Sim, como diz Leiluka, somos feitos de muitos tons...e semitons...muitos matizes...
Levando a vida com leveza, e também densidade, sobrevoamos, mergulhamos, sobrevivemos... Beijos coloridos, em degradê.

héber sales disse...

são tantas formas medonhas
de convidar o prazer, né não?

abraço!