quinta-feira, 5 de julho de 2007

Rosto cru.

Eis a última poesia de Plurilógico que lhes trago. Tentei aqui digerir mundos diversos através de uma abordagem cosmopolita e acredito ter tido êxito em meu intento.
Como lhes disse, as duas últimas poesias seriam intimíssimas, sendo a primeira pertencente à Bolha Íntima e esta de agora pertencente ao Buraco da Fechadura. Eu diria que hesitei e pensei um tanto antes de postar tal poema, pois ele é o rei dos demônios que dançam atrás da porta trancada. Não vou me demorar em explicações ou algo do gênero: eis o poema, o resto é com vocês.

Íntimo folclore
Sou sangue nas veias do moço bonito
E ele tão triste em meus braços
É a carne dele na minha?
Solitária ou terna, talvez precisa.

Quer ele, queremos nós
Nossas gargantas entrelaçadas
Que disparam a um simples olhar, sinal:
É minha e dele a carne.

É tão incrível, uníssono singular
Tocamos as cordas da vida
E a sinfonia é harmoniosa:
Gosto da boca dele, vazia.

Talvez atemos nós
Talvez formemos um todo:
Sejamos uma língua
E a sangria é secular!

Gosto da crueza de seus passos
Objetivos em meus gestos.
O sangue que escorre é nosso;

É dele a carne minha.

- By me®

Há uma música. também de Björk, que se identifica com a poesia, música essa chamada Pagan Poetry.
Termino a fase Plurilógico com essa postagem. Em agosto-setembro, nascerá o novo conceito, que é fluido, azul, deliqüescente, simples, puro...
A quem comenta, os frutos de gratidão.

6 comentários:

Leila Lopes disse...

De uma crueza singular, passos marcantes os teus. Um sentido mútuo envolve a carne.
Forte.
Bjo

Héber Sales disse...

é que aquele jogo cansa
então às vezes só se quer deus
esse fruto proibido

e o teu poema, hem?
me prendeu do início ao fim
gostei!

abraço

Analuka disse...

Muitas vezes, a vida só ganha o sentido que lhe damos... Sim, criamos caminhos, inventamos passos, descobrimos asas... ou sangue. Tudo e nada, cada qual com seu valor, dor, prazer e cor... Beijo alado azul.

Lunna disse...

Desculpe a demora, mas estive voltada para as páginas em branco de uma nova história que surge aos poucos.Agora estou aqui, para conhecer suas palavras em forma de verso e me deixar alcançar por elas numa calma que só se abala com a intensidade do que escreves...
Abraços

Bruno_Soft disse...

Engraçado como só saem
comentários poéticos...
O poeta (neste caso) é você,
mas todos querem aparecer
em seus respectivos comentários.
rsrsrs
Que risível!
Acho até que eu já fui assim,
mas vou parar, porque a atenção
tem que estar no seu poema,
e voltada SÓ para ele.

Lindo poema, bom jogo de palavras;
depois, vou lê-lo novamente
pra poder emitir uma opinião
mais elaborada
(mas não poética!! rsrsrs).

Bruno disse...

Como ninguém nunca reparara
que o beijo é realmente
um preenchimento de vazios?
Vazio + vazio = beijo.
0 + 0 = infinito.

Contrariar a matemática,
um dos papéis da poesia.