segunda-feira, 6 de agosto de 2012

poema de muitos silêncios

eu engoli o sol
de um jeito despretensioso
quando vi, acordava para uma nova vida uterina
"o que é isso?", pensava com espanto
estava regressando
no caminho, havia uma ponte,
um riacho e um homem.
o homem nadou para as margens,
assustado com minha audácia
o riacho se fez maré
e a ponte sumiu
o que em mim que não é ilha?
esse eterno retorno sobre si mesmo
o anseio negado de comunicação
só porque não pude nascer direito
serei embrião por excelência
um eunuco, um sem sexo, um mudo
mas os sonhos ainda permanecem

(em resposta ao poema de lucas campelo. pra ler ouvindo clube da esquina nº 2)

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